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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vestindo a roupa do outro…enfeitando o espírito de ambos.


BLOGUE GARI anomia11pt 

O Psicólogo Fernando Braga da Costa, da USP, para concretizar sua dissertação de Mestrado, disfarçou-se de gari e trabalhou como tal, dentro da própria Universidade de São Paulo, durante oito anos. E comprovou, na prática que nós vemos nos outros a função social de cada um, e não as suas respectivas individualidades. 

Ele deu recentemente uma entrevista ao jornalista Plínio Delphino, do Diário de São Paulo, que reproduzo abaixo. Em tempo: o material me foi repassado pelo amigo e colaborador Carlos Germer, de Santa Catarina. Leiam e reflitam, vale a pena.
 
PSICÓLOGO GARI
“A moral e os costumes que dão cor à vida, têm muito maior importância do que as leis, que são apenas umas das suas manifestações. A lei toca-nos por certos pontos, mas os costumes cercam-nos por todos os lados, e enchem a sociedade com o ar que respiramos.

“· Toda ação repetida gera hábito.
· O hábito muda o caráter.
· O caráter muda a existência.
· “Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível”

O Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da “invisibilidade pública”. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Fonte: Plinio Delphino,
Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

“Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência”, explica o pesquisador. O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. “Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão”, diz. Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora.

Diário – Como é que você teve essa idéia?

Fernando Braga da Costa – Meu orientador desde a graduação, o professor José Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica. Então, basicamente, profissões das classes pobres.

Com que objetivo?

A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro da sociedade. Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no encontro do psicólogo social com os garis. Que barreiras são essas, que aberturas são essas, e como se dá a aproximação?

Quando você começou a trabalhar, os garis notaram que se tratava de um estudante fazendo pesquisa?

Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal. Chegando lá eu tinha a expectativa de me apresentar como novo funcionário, recém-contratado pela USP pra varrer rua com eles. Mas os garis sacaram logo, entretanto nada me disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o modo de a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos.. Os garis conseguem definir essa diferenças com algumas frases que são implesmente formidáveis.

Dê um exemplo.

Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis. De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade, subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão. O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar: “É Fernando, quando o sujeito vem andando você logo sabe se o cabra é do dinheiro ou não. Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, segurando a pastinha na mão”.

Quanto tempo depois eles falaram sobre essa percepção de que você era diferente?

Isso não precisou nem ser comentado, porque os fatos no primeiro dia de trabalho já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari. Fui tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são carregados na caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem ferramentas também. Eles não deixaram eu viajar na caçamba, quiseram que eu fosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. Chegando no lugar de trabalho, continuaram me tratando diferente. 

As vassouras eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam que eu não tinha a mesma origem socioeconômica deles.

Quer dizer que eles se diminuíram com a sua presença?

Não foi uma questão de se menosprezar, mas sim de me proteger.

Eles testaram você?

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. 

Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: ‘E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?’ E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando – professor meu – até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma “COISA”.

Respeito: passe adiante!

Fonte:tempoquepassa.blogspot.com/2007_01_01_archive.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Educação Física é genética

19/10/2008 00:00:00

Professor Isaac Elias Farath, sinônimo de dedicação ao esporte

 

Engana-se quem pensa que os 70 anos de atividades esportivas do...

....professor Isaac Elias Farath foram dedicados ao basquete, vôlei, handebol e outras modalidades amadoras. Ele também foi craque no futebol de campo, integrando inclusive a Seleção Brasileira Universitária, que em 1950 tinha como treinador o consagrado Leônidas da Silva, o Diamante Negro. Isaac recebeu a reportagem do Diário em sua residência, na rua Carlos Botelho, 785, e abordou algumas passagens de sua vida. Afirmou que o ensino público hoje está defasado e criticou a eterna falta de apoio político ao esporte amador. Falou também sobre seu trabalho no MAC (Marília Atlético Clube) e apontou Antônio Maria Pupo Gimenez como o técnico mais completo que já dirigiu o clube. Pode ser que você já tenho sido aluno desse renomado professor de Educação Física, extremamente humanitário, que completou 84 anos no dia 8 de setembro. Afinal, somente em Marília cerca de 15 mil jovens tiveram, pelo menos, noções básicas sobre a prática esportiva.
   
Diário – O senhor deve ter passado a infância praticando muito esporte, não é?
Isaac – Com certeza, e tudo ao ar livre, porque não existiam quadras. Jogava qualquer modalidade, o que talvez tenha sido a razão de me tornar professor e um apaixonado pela Educação Física. Mas também, como minha cidade era cercada por rios, todos os dias era aquela bagunça com a garotada: nadar, remar, escalar montanhas e muitas traquinagens próprias de criança. Uma liberdade saudável e respeitosa.
   
Diário – E o curso superior?
Isaac – Naquela época quem desejasse cursar Educação Física só tinha duas opções: a Universidade Federal de São Carlos e a Escola Superior de Educação Física, da USP, onde me formei. Não havia faculdades particulares. Posso garantir que na USP tive os melhores professores de Educação Física do mundo. Recebi sábias lições de vida, sempre procurando ser um bom aluno com meus amigos Deus e Jesus Cristo.
 
Diário – Por que esse amor exagerado pela profissão?
Isaac – É que a Educação Física é o principal ingrediente na formação das pessoas para a vida. Ela prepara a imaginação, a inteligência, a vontade, a disciplina e a solidariedade em situações difíceis. Em toda essa engrenagem que norteia o nosso cotidiano, você aprende a ganhar sem humilhar o adversário e também a perder sem descontrolar-se. É bom ressaltar que existem bons professores e alunos aplicados, mas existem alunos que precisam ser preparados para enfrentar a luta lá fora, sem esmorecer. Professor de Educação Física foi meu único emprego na vida e me orgulho muito disso. Eu consegui deixar sementes com os poucos recursos que tive para exercer minha atividade. Infelizmente, poucos fizeram isso.
 
Diário – Como é a Educação Física hoje nas escolas?
Isaac – Evidente que o ensino público hoje não é como antigamente e isso atinge todas as disciplinas básicas dos alunos. No meu tempo, até parece brincadeira, mas a dificuldade que o professor tinha era mandar o aluno de volta para casa. O comparecimento era total. Quando alguém faltava ou chegava atrasado, você tinha a certeza de que alguma coisa mais séria aconteceu. Certa vez um aluno se atrasou eu lhe chamei a atenção. Ele me pediu para olhar suas mãos, que estavam com bolhas de sangue, pois ele era capinador de ruas de café. O que eu quero dizer com isso é o seguinte, ninguém queria perder uma aula. Era tudo levado muito a sério e os jovens realmente aprendiam. Os alunos das famílias mais abastadas só estudavam na escola pública em virtude da qualidade do ensino. A Educação Física hoje praticamente acabou. Muitos professores dão uma bola para os alunos - "joguem aí o que vocês quiserem" - enquanto eles se sentam numa sombra, papeando, e às vezes nem ficam na quadra. E o que você vê na mídia diariamente? Professores sendo agredidos, alunos armados dentro das escolas, homicídios e medo. Vou ter sempre boas recordações do meu tempo de professor, porém, diversos colegas vão ter recordações amargas.
 
Diário – Muitos de seus alunos se enveredavam na carreira esportiva?
Isaac – Sim, haja vista que só em Marília eu dei aula para 15 mil pessoas. A maior parte foi jogar basquete em grandes clubes brasileiros. Tenho quatro amigos que eram feras no basquete e que felizmente ficaram por aqui e se tornaram bons médicos: Fábio Villaça Guimarães Filho, José Anselmo Doreto, Mário Luiz Furlanetto e Paulo Carvalho, o Paulada.
 
Diário – É verdade que o senhor foi um dos pioneiros na prática da caminhada em Marília?
Isaac – Bom, até 1974 eu não via ninguém fazendo caminhada na cidade. Depois que o Valdir Bento Félix, o Edson Goiano e eu começamos a andar no bosque, muita gente começou a fazer o mesmo. É uma atividade essencial para o corpo e a mente.
 
Diário – Antes de abordar sua chegada a Marília, comente um pouco sobre a trajetória no futebol. O senhor foi um ótimo médio-volante?
Isaac – Sou suspeito pra falar, né? Comecei em dois clubes de Rio Pardo, a Associação Atlética Riopardense e o Rio Pardo Futebol Clube. Naquela época se chamava "amador marrom", ou seja, a gente não era profissional, mas recebia algum dinheiro. Depois atuei no Caconde, Fernandópolis, Cajuru e no Garça, onde pendurei as chuteiras.
 
Diário – Alguns de seus colegas se projetaram no futebol? E quanto aos técnicos?
Isaac – Sim, porém a memória agora vacila. Mas posso citar o Manuelito, que passou pelo Botafogo, e o Renê, que foi parar no Santos. Fui treinado por verdadeiros bambas, como o Elba de Pádua Lima (Tim); o Jorge Luiz, Piolim, Brito, Florindo e o Mário Miranda Rosa. Todos profissionais do mais alto gabarito.
 
Diário – Fale sobre sua passagem pelas seleções universitárias.
Isaac – Foi na USP. Primeiramente fui convocado para a Seleção Paulista, depois para a Brasileira, treinada pelo Leônidas da Silva, o Diamante Negro, inventor da "bicicleta". Disputamos vários campeonatos latino-americanos. A maioria dos atletas era reserva de grandes clubes como o Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos. Recordo-me do Luizinho, Zé Brás, Diogo e do Cléber.
 
Diário – Por que largou o futebol?
Isaac – Eu já estava deixando a cidade de Garça, onde morei de 1957 a 1961. Achava que todo mundo entendia sobre futebol, e é assim até hoje. Somos milhões de técnicos. Então mirei o pensamento no basquete, vôlei e handebol. O basquete, por exemplo, é um jogo que exige muita inteligência dos atletas e até do árbitro. Comparo o basquete com a vida. Se você faz um passe bem feito, resulta em outro passe bem feito, até a conversão do lance. Agora, se você faz um passe mal feito, o mal será revertido para os outros e principalmente para você. Por isso devemos sempre procurar acertar o passe, ou seja, fazer o bem.
 
Diário – Como foi seu jogo de despedida em Garça?
Isaac – Contra o São Bento, de Marília, no clássico regional. Uma grande festa com o estádio lotado. Recebi muitas homenagens. Deu empate sem gols. O São Bento tinha uma seleção, com destaque para o Jurandir de Freitas e o Valtinho. O nosso time não ficava atrás: Agamenon, Irineu, Ricci, Trinca e Plínio. Um esquadrão.
 
Diário – Após algum tempo se aperfeiçoando no basquete e o senhor veio dar aula em Marília?
Isaac – Sim, depois de ficar alguns anos em Garça, concluí extenso curso de basquete na Universidade Federal de São Carlos, junto com o Nelson Pozzi, o Roberto Furlanetto e o Edson de Almeida. Cheguei a Marília no dia 10 de janeiro de 1961. Ingressei no Instituto de Estadual de Educação "Monsenhor Bicudo" onde lecionei até 1984 (23 anos) e tive como diretores o Nelson Rino, Silvio Guimarães, Branco e Silvia Ribeiro de Carvalho. Também dei aula por 18 anos na Unimar. Aposentei-me em 1988. Formei várias equipes amadoras em toda minha carreira e conquistei inúmeros campeonatos.
 
Diário – E onde o senhor conheceu sua esposa?
Isaac – Eu sempre fui muito tímido. O Elias, ex-jogador do Mac, tinha uma doceira na rua 9 de Julho, entre a Sampaio Vidal e a 4 de Abril. Era pra ele que eu perguntava sobre uma moça linda que também freqüentava o local. Ele passava a "paquera" pra ela e vice-versa. Concluindo, o Elias foi um cupido nesse relacionamento. Até que em 1974 me casei com Alzira Barboza, meu maior sustentáculo, hoje psicóloga. Temos duas filhas. A Jamille, que é casada, e atualmente cursa Educação Física em Mogi das Cruzes, e a Rosina, atriz, que mora no Rio de Janeiro e que já fez três novelas na Rede Globo.
 


Diário – O senhor sempre foi uma pessoa muita reservada, avessa a badalações. Por quê?
Isaac – É o estilo de vida de cada um. Penso que para a pessoa mostrar quem é, não precisa ficar saindo em colunas sociais, freqüentar muitas festas, enfim, ter uma vida social ativa. Faça seu trabalho com honestidade e dedicação que toda sociedade vai julgá-lo.
 
Diário – Como foi trabalhar na preparação física do MAC?
Isaac – Uma grande experiência de vida. Foram mais de dez temporadas com os técnicos Alfredinho Sampaio, Urubatão Calvo Nunes, João Magoga, Walter Zaparolli, Silvio Acácio Silveira, João Avelino, Neuri Cordeiro, Antônio Maria Pupo Gimenez, entre outros.
   
Diário – O senhor não perde um jogo do MAC. O que fazer para ele não ser rebaixado?
Isaac – O atual plantel precisa ser mais trabalhado. É necessário que os jogadores resolvam as ações técnicas e táticas com inteligência e tenham uma finalização mais certeira. Não se pode usar a força sem precisão. Você só vê o cara dando chutão e a bola passando longe do gol. Esse fundamento precisa ser intensificado.
 
Diário – E o que mais?
Isaac – O técnico precisa adquirir uma filosofia de vida e de futebol diferenciada. Precisa conhecer o jogador que tem. Não apenas o que ele produz dentro de campo, mas também sua conduta fora dele. Isso o fará render mais. Tome como exemplo o técnico português José Mourinho e os brasileiros Wanderley Luxemburgo, Felipe Scolari e Emerson Leão. Eles acompanham com rigor a evolução do futebol, que trocou a técnica pela força física. Eles estudam a fundo o jogador, sua família, emoção, timidez e outros comportamentos. Quando vão disputar um campeonato eles já sabem tudo sobre os atletas dos outros times, o peso, altura, velocidade e outros atributos. Então executam um bom planejamento. Seus preparadores físicos devem carregar no bolso o livro "Fisiologia do Esforço", de Jurgen Stegemann.
 
Diário - Sobre o esporte amador, Marília ainda disputa os Jogos Regionais e Abertos sempre contratando atletas de fora a peso de ouro. O que senhor pensa sobre isso?
Isaac – Acho um absurdo. Aliás, o esporte em Marília nunca teve o devido apoio. Deveria ser efetuado um projeto a longo prazo apenas com gente da cidade. A Prefeitura precisa construir praças esportivas em todos os bairros e contratar técnicos especializados, preparadores físicos, médicos e até nutricionistas para desenvolver um trabalho sério e que realmente dê frutos. Quando o atleta atingir uma certa idade, deve receber bolsa de estudo e todo tipo de assistência para que continue defendendo as cores de Marília.
 
Diário - Quer deixar alguma mensagem?
Isaac – No âmbito esportivo, usando uma força de expressão, gostaria que os quintais de todas as residências de Marília se transformassem, literalmente, numa praça esportiva. No mais, só tenho que agradecer a essa cidade que me acolhe há 47 anos e na qual eu sou muito feliz.
 
Nota do jornalista – Isaac Elias Farath, apesar dos muitos anos de trabalho em que destacou Marília no cenário esportivo nacional, só recebeu uma homenagem até hoje: a menção "4 de Abril" do clube rotário homônimo, em 1998. É mais um entrevistado da coluna "Minha Cidade, Minha Vida" que foi olvidado pela Câmara Municipal de Marília.